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Dr Bactéria ensina como comer na praia com segurança e os perigos de se engolir água da piscina
Olá pessoal!
Estou de volta para responder algumas perguntas que vocês enviaram pelo sistema de comentários! Se sua dúvida ainda não foi respondida, não desanime! São muitas questões e vou tentar responder o máximo possível. Tem uma nova pergunta? Envie um comentário.
Agora, as respostas:
Tenho uma amiga que dá banho em seu bebê usando o mesmo sabonete do resto da família. Minha mãe sempre me ensinou que bebês precisam ter sabonetes próprios e de uso exclusivo. Não é verdade? Quais os riscos que uma criança corre se usar sabão alheio? E, aproveitando, qual a melhor maneira de cuidar da higiene de nossos pequenos?
Logo após o nascimento a pele do recém-nascido tem pH neutro, adquirindo uma tendência para acidez entre o terceiro e o quarto dia de vida e tornando-se ácida durante a primeira semana. A estabilização a um pH similar ao dos adultos ocorre dentro do primeiro mês de vida, com valores em torno de 5.
O pH é um dos responsáveis pela integridade da pele, para que ela exerça satisfatoriamente suas funções. Entre essas, a mais importante é agir como barreira entre o meio interno e o ambiente, prevenindo a desidratação através da perda de água corporal, a absorção de substâncias químicas e a invasão de microorganismos. A pele também tem função de proteção quanto a traumas e radiação ultravioleta, função de termo-regulação e sensação tátil.
Quando se utiliza sabonete alcalino (como o da maioria dos sabonetes) em bebês, ocorre a neutralização do pH da pele, o que pode provocar anormalidades funcionais, incluindo permeabilidade aumentada da barreira e diminuição da sua integridade.
Conforme estudo realizado com bebês a partir de duas semanas até 16 meses de vida, todo agente de limpeza traz conseqüências para a superfície da pele do bebê. O banho com sabonete desencadeia uma elevação do pH da pele que interfere na proteção fisiológica, provocando mudança na composição da flora bacteriana cutânea e na atividade das enzimas da pele. Outra conseqüência é a dissolução da gordura da superfície da pele, o que, influenciando nas condições de hidratação, predispõe à secura e à descamação da pele.
Na maioria dos recém-nascidos normais, após a pele ser lavada com sabonete alcalino, é necessário um período de uma hora para que haja a regeneração do pH cutâneo. Por isso, produtos de limpeza de pH alcalino não são recomendados para recém-nascidos, pois a falta de integridade da pele propicia a penetração de bactérias e fungos presentes na flora cutânea, podendo evoluir até para infecção sistêmica.
Com relação à contaminação por microrganismos, risco não existe só para crianças, mas também para adultos, e têm sido descritos diversos casos de contaminação através do sabonete em barra de doenças como tricomoníase e HPV.
O sabão líquido deve ser preferido pelo menor risco de contaminação e por possuir pH mais neutro. O sabão em barra geralmente tem pH alcalino e deve ser de tamanho pequeno, visando sua substituição freqüente, e colocado em suporte vazado quando em uso.
Os sabonetes infantis mais adequados devem conter pouca concentração de detergentes. Portanto, o melhor é utilizar sabonete neutro e xampu especial para bebês e exclusivo para eles.
CUIDADOS COM O RECÉM-NASCIDO
Como já falei anteriormente não podemos cair no erro de confundir higiene (tomar banho, lavar as mãos) com excessos de zelo (criar os filhos em verdadeiras redomas de vidro). O contato com microrganismos é importante para as crianças, principalmente para estimular seus sistemas imunológicos, diminuindo a possibilidade de doenças respiratórias futuras.
O principal cuidado quando formos lidar com o bebe é a higiene das nossas mãos: lavar cuidadosamente com água e sabão.
Tenho muito nojo de comer na praia, mas é complicado ficar indo e voltando para a casa toda vez que dá fome na areia. Minha família, por exemplo, não gosta e diz que sou fresca por não comer em barraquinhas e quiosques. Gostaria de saber o que é seguro de comer nesses casos.
Na praia as chances de contaminação dos alimentos são muito grandes. Isso acontece porque muitas vezes o local e quem prepara os alimentos não têm os cuidados higiênicos adequados, ficando o alimento exposto muito tempo -- e o que é pior: sem a devida refrigeração. Além disso, podemos ter também a contaminação dos utensílios como copos, pratos e talheres.
Alguns cuidados podem ser grandes aliados para que possamos consumir comidas nas praias sem correr maiores riscos:
A qualidade e a procedência dos alimentos exigem toda a nossa atenção. Devemos observar as condições de higiene das barracas de comidas, assim como o aspecto, a coloração e o odor dos produtos que serão consumidos. Procure sempre por locais que utilizam copos, pratos e talheres descartáveis.
Gelo – veja se o gelo usado para sucos, caipirinhas e batidas não é o de barra, pois esse tipo de gelo não é produzido com água potável. O congelamento não mata bactérias. Se a água com a qual o gelo for feito estiver contaminada, o gelo também estará. Isto vale também para o gelo da raspadinha.
Camarão – para saber se aquele camarãozinho está fresquinho, pegue um e tente tirar a casquinha dele. Se a casquinha sair íntegra é porque o camarão está bom. Se ele estiver meio pastoso, grudento, sem sair, aí não deve ser ingerido.
Ostras – um dos aperitivos mais desejados na praia pode se tornar o grande vilão dos mais desavisados. Consumidas normalmente com sal e limão, as ostras cruas podem abrigar diversas bactérias e serem retransmissoras de doenças como a cólera e salmonelose. O aquecimento muitas vezes também não é eficiente, uma vez que pode não eliminar algumas toxinas que estejam presente na ostra. Para se consumir ostras com segurança, elas devem estar vivas e terem sofrido um processo de depuração em água clorada por no mínimo 24 horas.
Pastel – verificar se o óleo utilizado para a fritura está limpo. Se estiver escuro, peça para trocar, pois pode estar com toxinas que causam mal à saúde. Os recheios de menor risco são de queijo ou de pizza (queijo e tomate).
Sanduíche natural – A maioria dos sanduíches naturais tem maionese, portanto tem que estar refrigerada. Observe se ele está sendo armazenado em caixa de isopor e se na mesma há gelo para manter a temperatura baixa. Cuidado com a maionese: feita artesanalmente JAMAIS. A maionese CASEIRA é o alimento com maior risco de contaminação pela Salmonela.
Água de coco – A água de coco gelada tem alto poder de hidratação e é deliciosa. O risco de contaminação está no facão usado na abertura do coco e nos canudos que podem ser reaproveitados. O ideal é sempre pedir para retirar o canudo da embalagem e prestar atenção no local onde ele estava guardado. Após usá-lo, dê um nó e jogue no lixo, evitando dessa forma seu reaproveitamento.
Queijo coalho – se você pedir para assar totalmente o risco diminui, entretanto fica difícil você saber a procedência desse queijo.
Milho cozido – observe que o mesmo esteja totalmente imerso na água e a água em ebulição.
Se for levar lanche de casa, cuidado com os mais perecíveis como presunto, patês com maionese e similares. O ideal é ter sempre à mão uma caixa de isopor com gelo ou embalagem térmica para manter as comidas frias e não somente se preocupar em manter a cerveja geladinha. Isso evita expor os alimentos às temperaturas de risco e pegar uma doença veiculada por alimento.
Quais os riscos que corremos quando acidentalmente ingerimos a água da piscina?
Se alguém "bebeu" água da piscina poderá existir o risco de intoxicação pelos produtos químicos presentes, que são utilizados para limpeza, como decantadores, limpadores de azulejo, entre outros, que não são indicados como comestíveis.
Com relação ao cloro, o recomendado para as piscinas tratadas com esse produto, é que tenham um residual de cloro livre de 1 a 3 ppm. Para água potável esse residual de cloro deve estar entre 0,2 e 5 ppm. Não é por isso que você vai beber água da piscina e muito menos dar aos animais.
Vários fatores podem interferir na qualidade da água das piscinas: quando ao ar livre estão sujeitas a contaminação por insetos, pássaros, vegetais. Além disso, a presença de microorganismos colonizados no corpo dos banhistas (vindos da mucosa nasal e da bucal, da região anal e perianal, e da superfície do corpo); a poluição da água, do piso e dos objetos de uso dos freqüentadores também colaboram para a contaminação da água da piscina.
Infecções oculares (conjuntivite infecciosa), auditivas (otites), do sistema respiratório superior (amidalites ou faringites, por exemplo), da pele (micoses, eczemas etc.) e até mesmo infecções intestinais, são alguns dos males aos quais os adultos e principalmente as crianças estão sujeitos, caso as normas sanitárias de operação e manutenção das piscinas, previstas em lei, forem desrespeitadas.
Entretanto, se a água receber os devidos cuidados, for tratada por quem entende do assunto e houver resíduo de cloro em níveis adequados (1 a 3 ppm), haverá pouca possibilidade de sobrevivência dos contaminantes e portanto o risco de contrairmos doenças transmissíveis por microorganismos patogênicos .
Gostaria de saber se é errado manter uma lixeira em cima da pia. Os alimentos podem ser contaminados?
Acredito que esses recipientes devem ter sido inventados por alguém da SPBPA (Sociedade Protetora das Bactérias Patogênicas Anônimas), pois é a mesma coisa que preparar alimentos do lado do lixo.
Recipiente de lixo tem que ter tampa e esta ser acionada por pedal e, obviamente, tem de ficar no chão. Nada de comprar as chamadas lixeirinhas de pia, menores, originalmente concebidas para recolher palitos de fósforo usados, tampas de garrafa, guardanapos sujos e outras miudezas. Pois são justamente estas quinquilharias que os germes, as pragas e os insetos domésticos (como baratas, moscas e formigas) mais apreciam.
Tenho que ter panos de chão diferentes para o banheiro e o resto da casa? Para deixar os panos de pratos de molho é necessário uma bacia só para este fim?
Não existe necessidade de utilizar panos de chão diferentes para o banheiro e o restante da casa, se após cada uso for feita a descontaminação de maneira correta.
Muitas donas-de-casa têm o costume de deixar os panos de prato e de limpeza após o uso em baldes com produtos sanitizantes -- mas isso não impede os micróbios de proliferarem, uma vez que, passada uma hora aproximadamente, o material orgânico recolhido durante a limpeza neutralizará o sanitizante e os microrganismos começarão a se multiplicar. Tão pouco resolve misturar sabão em pó com detergente e desinfetante, pois acaba um neutralizando a ação do outro e nenhum faz efeito.
Para desinfetar os panos de limpeza, proceda da seguinte forma: use duas colheres de sopa de água sanitária para um litro d’água e deixe o pano dentro da solução por 10 minutos. Depois disso ele deve ser bem lavado com água e sabão, enxaguado e seco, de preferência em secadora. Use o ferro de passar bem quente para eliminar eventuais focos bacterianos mais resistentes.
Quanto aos panos de prato, não devem ser postos para secar após o uso. Devem sim ser trocados e colocados para lavar, conforme descrito acima, assim que estiverem molhados ou, se possível, substituídos por panos descartáveis ou papel absorvente.