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"Arraiá" sem bactéria
Nas festas juninas não podem faltar pratos típicos como canjica, pé-de-moleque, bolo de fubá, curau, e pamonha. Embora a festa “role solta”, não podemos nos descuidar de aspectos relacionados com o armazenamento e higiene dos alimentos servidos. Podem existir riscos ligados à ingestão de produtos contaminados nas festas juninas. Para evitar que isso ocorra, sugiro que os responsáveis pelas barracas de alimentos fiquem atentos à preparação das comidas que são servidas.
Quantas vezes nos deparamos com uma pessoa que compra um espetinho (de carne ou lingüiça), “molha” o dito cujo na farinha, morde, “molha” novamente, morde mais um pedaço...
A saliva que foi passada para a carne vai para a farinha. Após várias passagens de várias pessoas, já daria para imaginar o estado dessa farinha. Procure evitar servir a farinha para “molhar” os espetinhos de carne ou de lingüiça em assadeiras ou pratos. Coloque-a em recipientes (tipo catchup, com o bico largo) e use um prato descartável como base individual.
Abaixo, os cuidados para vários alimentos típicos das festas juninas.
Cachorro quente e Salsichão
Perigo: presença da bactéria Listeria monocytogenes.
Conseqüências: pode causar aborto ou, 8 a 12 horas após a ingestão, levar a diarréia e cólicas abdominais fortes por 24 horas.
Erros: consumir a salsicha crua ou com maionese caseira.
Prevenção: cozinhe bem a salsicha. Deixe-a totalmente imersa na água, que deve estar soltando vapor (acima de 60ºC). A maionese consumida deve ser industrializada. O molho deve estar bem quente.
Churrasquinho
Perigo: presença da bactéria Escherichia coli.
Conseqüências: após 8 a 12 horas podem surgir diarréia e cólicas abdominais fortes por 24 horas.
Erros: consumir a carne mal passada ou deixá-la mal refrigerada.
Prevenção: prefira o churrasquinho feito na hora e bem passado. Deve-se evitar passar o churrasquinho na farinha, que pode ter sido contaminada ao ser manipulada. A carne crua deve ficar armazenada em caixa térmica com gelo ou refrigerada.
Canudos, copos, pratos e talheres descartáveis
Perigo: presença de microrganismos patogênicos provenientes da saliva.
Conseqüências: herpes labial, candidíase bucal, cárie, inícios de processos de gastrite e/ou úlcera e outras doenças transmissíveis pelo contato.
Erros: reutilização e uso de produtos mal armazenados.
Prevenção: após o uso, os utensílios devem ser destruídos para evitar a sua reutilização.
Canjica e arroz doce
Perigo: presença da bactéria Bacillus cereus ou Clostridium perfringens.
Conseqüências: após 8 a 12 horas podem surgir diarréia e cólicas abdominais fortes por 24 horas.
Erros: deixar o alimento em uma temperatura inferior a 60°C e maior que 5ºC por mais de duas horas; armazená-lo na geladeira em potes grandes e, na hora de servir, reaquecê-lo inadequadamente.
Prevenção: refrigerar em pequenas porções (inicialmente descoberto); antes de servir, reaquecer a pelo menos 80º C; manter a uma temperatura acima de 60ºC.
Pé de moleque e paçoca de amendoim
Perigo: presença de amendoim com toxinas de bolores.
Conseqüências: risco de câncer hepático.
Erros: utilização de amendoim embolorado (mofado).
Prevenção: não ingerir ou comprar produtos de amendoim de origem duvidosa.
Milho cozido
Perigo: presença da bactéria Bacillus cereus.
Conseqüências: após 8 a 12 horas podem surgir diarréria e cólicas abdominais fortes por 24 horas.
Erros: deixar o milho numa temperatura inferior a 60ºC por mais de duas horas.
Prevenção: manter o alimento aquecido a mais de 60ºC.
Pinhão
Perigo: presença da bactéria Bacillus cereus.
Conseqüências: após 8 a 12 horas podem surgir diarréia e cólicas abdominais fortes por 24 horas.
Erros: deixar o pinhão numa temperatura inferior a 60ºC por mais de duas horas; armazená-lo na geladeira em grandes porções; reaquecê-lo inadequadamente.
Prevenção: refrigerar em pequenas porções (inicialmente descoberto); antes de servir, reaquecer a pelo menos 80ºC; mantenha a uma temperatura acima de 60ºC.