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Privadas, chupetas e hortaliças
Olá, pessoal. Estou de volta para esclarecer mais algumas dúvidas enviadas pelos internautas. Aliás, se você tem perguntas, basta enviá-las pelo sistema de comentários, abaixo. Mas vamos às respostas de hoje.
Aqueles desinfetantes que são presos à lateral do vaso sanitário realmente funcionam para desinfetar, ou eles acabam acumulando germes em vez de eliminá-los?
Na verdade, temos dois tipos de produtos: o primeiro tipo contém dicloroisocianurato de sódio, e o segundo, que não o contém.
Os que possuem esse produto químico apresentam uma ação contra microrganismos em geral, pela liberação de cloro, substância que, em contato com a água, produz ácido hipocloroso e íon hipoclorito, que tem ação contra bactérias, fungos e vírus em geral.
Os outros produtos possuem mais uma ação de detergente, isto é, mais voltados para limpeza, odorização e colorização da água. No entanto, agentes conservantes existentes em suas formulações geralmente impedem a contaminação do próprio produto. Entretanto, tendo em vista a baixa concentração existente, eles não possuem ação sobre a água após diluição (como ocorre na descarga).
Tomar banho com sabonetes antibacterianos todos os dias faz mal? Pode afetar de alguma forma a nossa fauna bacteriana saudável?
Geralmente os sabonetes chamados anti-sépticos, isto é, que apresentam ação contra microrganismos existentes em tecidos vivos, possuem em sua formulação um produto químico de nome TRICLOSAN. Essa substância possui uma ação BACTERIOSTÁTICA nas concentrações utilizadas:
Desodorantes: 0,1 a 0,2%
Deo-colônias: 0,1 a 0,2%
Cremes e loções: 0,2 a 0,3%
Sabonete Anti-séptico: 0,5%
Sabonete uso cirúrgico: 1%
A diferença da ação bacteriostática para bactericida é justamente que a primeira não mata microrganismos; apenas impede o seu crescimento, o que não interfere nem modifica os tipos de microrganismos existentes na pele.
A lavagem com água (de preferência morna) e sabonete (de preferência líquido e inodoro e com ação bacteriostática), além de diminuir a carga microbiana pela ação mecânica e do coadjuvante químico, impede o crescimento dos micróbios, diminuindo tremendamente os riscos de transmissão de doenças, sejam alimentares (manipuladores de alimentos), sejam em hospitais em geral.
Na coluna de 13/02 o sr. disse que o recongelamento de alimentos não é indicado porque, durante o processo de congelamento, existe um "esmagamento celular" pela expansão do gelo dentro das células musculares, diminuindo sua resistência a um ataque de microrganismos. Mas em outra circunstância (na coleção "Higiene dos Alimentos") o sr. afirma que, se o descongelamento for feito em geladeira, o alimento pode ser novamente recongelado. Gostaria de saber o que vale?
Essa pergunta é bastante interessante, pois as duas respostas podem ser encaradas tecnicamente como corretas.
Durante o processo de congelamento a água existente dentro das células, sejam animais ou vegetais, se expande, podendo acarretar em destruição celular e perda de líquido. Essa destruição leva à diminuição da resistência do alimento frente ao ataque de microrganismos que ocorre na contaminação. Só isso já é o bastante para contra-indicar qualquer processo de recongelamento.
No entanto, sendo o produto descongelado sob refrigeração (menor que 5 graus Celsius), praticamente não existe ataque por microrganismos e, sendo recongelado a –18 graus Celsius, a baixa concentração bacteriana se mantém; nesta temperatura não existe crescimento microbiano.
A legislação atual (RDC 216 MS) proíbe o recongelamento de alimentos.
Embora tecnicamente os dois métodos pudessem ser encarados como corretos, legislativamente e usando o bom senso, eu ficaria com o não-recongelamento.
Chupetas de bebê possuem alto risco de contaminação? Como higienizá-las apropriadamente?
Não podemos cair no erro de confundir higiene (tomar banho, lavar as mãos) com excessos de zelo (criar os filhos em verdadeiras redomas de vidro). O contato com microrganismos é importante para as crianças, principalmente para estimular seus sistemas imunológicos, diminuindo a possibilidade de doenças respiratórias futuras.
Para a correta higienização das chupetas basta:
- Imergir em água morna com algumas gotas de detergente por 10 minutos
- Lavagem com água morna e detergente com enxágüe em água quente
- Ferver por 3 a 5 minutos
- Deixar secar em escorredor de pratos
- Guardar em recipientes plásticos
Por que tenho de colocar as hortaliças na geladeira logo após a compra por 1 a 2 horas, antes de higienizá-las? Desse jeito não estarei "disseminando" as bactérias dentro da geladeira?
Aquela rosa que você ganhou ontem, hoje está meio caída. Colocando na água, à temperatura ambiente, ela voltará ao normal. Isto é uma característica que os vegetais possuem chamada uptake, esta ocorre também com as hortaliças e frutas. Para diminuição dessa característica, devemos levar para a geladeira, pois a refrigeração diminuirá a ação desse efeito, isto é, a lavagem de hortaliças refrigeradas (pelo menos 10 graus Celsius inferior à temperatura da água) impedirá que, pelo uptake, a água penetre dentro dos vegetais, levando com ela microrganismos e agrotóxicos. Em literatura, não existem casos de contaminação de outros alimentos por ação desses processos.
Há algum procedimento para diminuir o efeito dos agroquímicos sobre legumes e frutas?
O melhor procedimento para lavagem e diminuição de carga microbiana e de agrotóxicos nos vegetais seria o seguinte:
- Refrigeração em sacos plásticos transparentes e abertos por pelo menos 2 horas
- Lavagem em água corrente, folha a folha e com muito cuidado e paciência
- Nesse ponto, alguns pesquisadores recomendam imersão em uma solução de 8 gotas de detergente neutro por 1 litro de água com movimentos leves e circulares
- Imersão em solução de 1 litro de água adicionado de 1 colher de sopa de água sanitária (de boa procedência), por 5 minutos
- Novo enxágüe em água
- Servir ou manter sob refrigeração