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    Escovas, camarões, bacias, azulejos e sexo oral

    Olá!

    Mais uma vez volto aqui para responder a algumas das muitas perguntas que vocês enviaram pelos comentários. É difícil responder todas, mas, se você tem alguma dúvida, fique de olho em nossos arquivos e veja se ela já não foi respondida antes! Se não foi, sinta-se à vontade para enviar, que responderei assim que for possível neste espaço.

    Mas vamos ao que interessa, às perguntas desta semana!

    Há riscos de contaminação na prática de sexo oral? Como evitá-los?

    Sim, há riscos! E são de dois tipos: por microorganismos que não causam doenças (os não-patogênicos) e por microorganismos que causam doenças (os patogênicos).

    Uma boca possui cerca de 2 bilhões de microrganismos por gota de saliva. Uma gota de suco genital possui cerca de 500 mil microrganismos.

    Entre os principais, o mais perigoso e o de maior importância atualmente é o HIV. Este vírus é mais facilmente transmitido através de sexo anal e vaginal sem camisinha, do uso de objetos injetáveis compartilhados e no parto, de mãe para filho.

    No sexo oral, o risco é menor -- mas ainda existe! O Serviço de Laboratório de Saúde Pública do Reino Unido estima que entre 1% e 3% dos casos de transmissão de HIV resultam de sexo oral.

    É possível ainda pegar facilmente outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como sífilis, herpes e gonorréia. Durante o período menstrual os níveis de risco aumentam, pois as células que contêm o HIV são expelidas pelo colo e, por isso, são mais facilmente encontradas nos fluidos vaginais juntamente com o sangue.

    Alguns cuidados devem ser tomados como:

    · Fazer sexo oral com proteção, usando camisinha nos homens e o ‘dental dams’ (quadrados de látex reutilizáveis após serem lavados com sabão neutro) nas mulheres.
    · Cuidados com a saúde bucal são importantes, pois a probabilidade da transmissão do HIV é maior se a gengiva apresentar sangramento como nos casos de cortes, aftas e esfoladuras. Uma prática interessante é não escovar os dentes antes de fazer sexo oral.
    · Escolha criteriosa de parceiros (as).
    · Controle clínico e laboratorial periódico próprio e dos parceiros.

    Em salões de beleza, manicures costumam utilizar bacias com água quente para amolecer as cutículas. Há risco de contaminação por bactérias?

    O amolecimento das cutículas acarreta em uma diminuição da capacidade de resistência natural da pele -- e, por isso, a água quente é usada. Com essa redução, há uma facilidade maior da penetração de microrganismos que podem ocasionar infecções e doenças.

    Micoses (onicomicoses e candidíase) e infecções por Staphylococcus e Streptococcus (que têm presença de pus) podem ser transmitidas nesses casos, assim como agentes virais perigosos (como HIV e Hepatite C), quando são usados instrumentos como alicates não corretamente esterilizados.

    Recomendações:

    · Após cada cliente, lavar criteriosamente o recipiente e desinfetar (pode ser com álcool 74ºGL) antes da nova utilização.
    · Usar gotas de sabonete líquido contendo um agente contra o crescimento de microrganismos (p. ex. Triclosan), na solução final.
    · As bacias devem ser todas de alumínio e isoladas com um plástico descartável próprio para isso (que deve ser trocado a cada cliente).
    · Esterilizar corretamente os alicates (em estufa de calor seco = 160º por 2 horas ou 170º por 1 hora)
    · Uso único e descartável de lixas e palitos de laranjeira

    Aquelas manchas que aparecem nos azulejos próximos ao chuveiro são causadas por microrganismos? Como combatê-las?

    Geralmente estas manchas são ocasionadas por fungos (bolores) e não trazem problemas maiores para a saúde. Seus esporos (sementes), no entanto, podem causar processos alérgicos. E o visual não é nada bonito.

    Devemos limpar do seguinte modo:

    · Preparar uma solução de 1 copo de água sanitária + 1 copo de água
    · Umedecer a área escura com esta solução (com o uso de luvas, panos ou pulverizadores)
    · Aguardar por 20 minutos
    · Esfregar com o auxílio de uma escova (pode ser uma escova de dentes usada), e sabão ou detergente
    · Enxugar
    · Nova aspersão com a solução de água sanitária
    · Deixar secar ambientalmente

    Como fazer a limpeza de camarões, peixes e frutos do mar para evitar contaminação por bactérias?

    Usar os seguintes materiais:

    · Placa de corte de plástico
    · Facas de aço inox com cabo plástico
    · Lixeiras com abertura por pedal
    · Água corrente

    Os camarões devem apresentar a carne rígida e sem cheiro. As perninhas e a cabeça não devem desprender facilmente do corpo. A casca deve sair inteiriça e não deve estar “grudada” na carne. Usar um palito para retirar o intestino (fio escuro que segue no dorso do camarão).

    Os peixes devem apresentar carne rígida com turgor ao toque (apertando com o dedo, ela volta ao normal rapidamente), olhos íntegros e ocupando totalmente a órbita, cloaca fechada, escamas não saindo facilmente, odor característico e guerras vermelhas.

    Após a limpeza (característica de cada fruto mar), devemos proceder a higienização dos utensílios:

    - Lavar com abundante água e sabão (ou detergente).
    - Pulverizar sobre todos os utensílios: vinagre puro ou solução de cloro (1 colher de sopa de água sanitária por litro de água)
    - Não esquecer de lavar as mãos com abundante água e sabão.


    Como higienizar e manter escovas de dentes livres de bactérias?

    Geralmente as escovas de dentes apresentam a mesma flora microbiana da boca do usuário e podem conter diferentes tipos de bactérias provenientes da cavidade bucal ou do meio ambiente, como Streptococcus mutans (um dos possíveis causadores de cárie), leveduras, vírus e até mesmo parasitas intestinais.

    A aplicação de um anti-séptico, o gluconato de clorexidine 0,12% ou o cloreto de cetilpiridínio 0,05% é também um método eficaz na eliminação das bactérias que causam a cárie e pode ser adquirido facilmente em farmácias de manipulação.

    Após a desinfecção, a escova deve ser conservada em local fresco, dentro do armário do banheiro e antes da próxima utilização, deve-se lavar a escova em água corrente.

    Indivíduos sadios devem trocar suas escovas a cada 3 ou 4 meses. Os indivíduos com gripe ou outras doenças infecciosas devem trocá-las no início e após a cura.

    Evitar:
    · O uso de escovas de dentes não pertencentes a você assim como a troca de escovas.
    · O contato entre as escovas, mesmo da mesma família.
    · Apertar descargas com a tampa aberta, pois pode haver a formação de um spray que ficará no ambiente por cerca de 2 horas levando à contaminação da escova por microrganismos fecais

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